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O que acontece na China impacta o mundo: abertura da Assembleia Popular Nacional estabelece meta de crescimento de 5%, e Brasil vislumbra oportunidades

Sessão anual da Assembleia Popular Nacional da China destaca metas econômicas e diretrizes do plano quinquenal, atraindo atenção do Brasil e da comunidade internacional

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Pequim, 5 de março — Agência Brasil-China

Na manhã desta quinta-feira (5), foi inaugurada em grande estilo no Grande Salão do Povo, em Pequim, a quarta sessão da 14ª Assembleia Popular Nacional da China. Cerca de 3 mil deputados participaram da reunião.

Líderes do Partido e do Estado, incluindo Xi Jinping, Li Qiang, Wang Huning, Cai Qi, Ding Xuexiang, Li Xi e Han Zheng, estiveram presentes na cerimônia de abertura.

Às 9h da manhã, Zhao Leji, presidente executivo da sessão e presidente do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional, declarou oficialmente aberta a reunião. Todos os presentes se levantaram para cantar o hino nacional da República Popular da China.


Li Qiang apresenta o relatório de trabalho do governo: balanço de 2025 e planejamento para 2026

De acordo com a agenda da reunião, o primeiro-ministro do Conselho de Estado, Li Qiang, apresentou o relatório de trabalho do governo. O documento revisa as realizações de 2025, apresenta os principais objetivos do período do 15º Plano Quinquenal e estabelece as diretrizes de política e as tarefas de trabalho para 2026.

Li Qiang destacou que o ano de 2025 foi extraordinário. Diante de profundas mudanças no cenário nacional e internacional, as principais metas de desenvolvimento econômico e social foram concluídas com sucesso, o 14º Plano Quinquenal foi finalizado com êxito e a modernização ao estilo chinês deu novos e sólidos passos adiante.


15º Plano Quinquenal: foco no desenvolvimento de alta qualidade e em novos motores econômicos

O aguardado “Esboço do 15º Plano Quinquenal de Desenvolvimento Econômico e Social Nacional” foi submetido à análise da assembleia.

Li Qiang explicou que o projeto estabelece quatro direções estratégicas principais para o desenvolvimento durante o período do plano:

  • promover o desenvolvimento de alta qualidade
  • fortalecer o ciclo econômico interno
  • avançar na prosperidade comum
  • coordenar desenvolvimento e segurança

Para atingir essas metas, o plano propõe 109 grandes projetos distribuídos em seis áreas estratégicas.


Metas para 2026: crescimento econômico entre 4,5% e 5%

No relatório, Li Qiang apresentou as principais metas esperadas para este ano:

  • crescimento do PIB entre 4,5% e 5%
  • taxa de desemprego urbano em torno de 5,5%
  • criação de mais de 12 milhões de novos empregos urbanos
  • inflação ao consumidor em torno de 2%
  • produção de grãos próxima de 1,4 trilhão de jin

O relatório também detalha dez grandes tarefas do governo, incluindo:

  • construção de um mercado interno robusto
  • fortalecimento de novos motores de crescimento
  • avanço da autonomia científica e tecnológica
  • aprofundamento das reformas em áreas-chave
  • ampliação da abertura econômica de alto nível ao exterior

Três importantes projetos de lei apresentados para deliberação

Em nome do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional, o vice-presidente Li Hongzhong apresentou explicações sobre três projetos legislativos:

  • Código de Ecologia e Meio Ambiente (projeto) — com 5 partes e 1242 artigos, destinado a consolidar em forma de código legal os avanços da construção da civilização ecológica
  • Lei de Promoção da Unidade e do Progresso Étnico (projeto) — com 64 artigos, voltada ao fortalecimento da consciência de comunidade da nação chinesa
  • Lei de Planejamento de Desenvolvimento Nacional (projeto) — com 6 capítulos e 38 artigos, destinada a inserir o planejamento nacional de desenvolvimento dentro de um marco jurídico

Por que os brasileiros acompanham as “Duas Sessões” da China?

Para os leitores brasileiros, acompanhar as “Duas Sessões” da China não é apenas curiosidade — o tema está diretamente relacionado a negócios e economia.

Em primeiro lugar, a trajetória da economia chinesa influencia diretamente o Brasil. A China já é o maior parceiro comercial do Brasil há 17 anos consecutivos.

Em 2025, o comércio bilateral atingiu um novo recorde de 171 bilhões de dólares, valor superior ao dobro do comércio entre Brasil e Estados Unidos. As diretrizes anunciadas pelo governo chinês, como a ampliação da abertura econômica ao exterior, terão impacto direto nas exportações brasileiras de soja, minério de ferro e carne bovina.

Durante a coletiva de imprensa realizada em 4 de março, o jornalista Pan Naisen, do grupo de mídia brasileiro UOL, destacou:

“A escala da economia chinesa, sua força e sua ampla influência geopolítica fazem com que qualquer acontecimento na China tenha impacto no cenário global. Para o Brasil, a China ocupa uma posição crucial na economia e é o maior parceiro comercial do país há 17 anos. Portanto, qualquer tema relacionado ao comércio é extremamente importante para o Brasil.”

Em segundo lugar, as oportunidades geradas pelo 15º Plano Quinquenal merecem atenção. O foco no desenvolvimento de alta qualidade e na criação de novos motores de crescimento indica que a China está acelerando sua transição de “fábrica do mundo” para mercado global e polo de inovação tecnológica.

Para o Brasil, isso representa tanto desafio quanto oportunidade: não basta apenas exportar matérias-primas — participar do avanço tecnológico chinês pode acelerar o desenvolvimento brasileiro.

Em terceiro lugar, novas facilidades para a circulação de pessoas entre os dois países trazem perspectivas positivas. Desde junho de 2025, a China passou a conceder isenção de visto para portadores de passaporte brasileiro. Embora o Brasil ainda não tenha anunciado a data exata para a reciprocidade, a futura política de isenção bilateral reduzirá significativamente as barreiras para empresários realizarem viagens de negócios e intercâmbio tecnológico.

Para os brasileiros interessados em fazer negócios com a China, as oportunidades estão surgindo.


Lista de autoridades presentes na tribuna

Também estiveram sentados na tribuna: Wang Yi, Yin Li, Shi Taifeng, Liu Guozhong, Li Ganjie, Li Shulei, He Lifeng, Zhang Guoqing, Chen Wenqing, Chen Jining, Chen Miner, Yuan Jiajun, Huang Kunming, entre outros.

O chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Hong Kong, John Lee, e o chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau, Sam Hou Fai, participaram da sessão como convidados.

Membros da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês também estiveram presentes, e diplomatas estrangeiros na China assistiram à reunião.

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