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quarta-feira - 04 março 2026 - 20:33
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Início do 15º Plano Quinquenal atrai atenção global e coletiva do Congresso chinês envia sinais estratégicos

Coletiva do Congresso Nacional do Povo, em Pequim, destaca economia, legislação e planejamento nacional

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Pequim, 4 de março (Agência Brasil-China) — Às 12h do dia 4 de março de 2026, foi realizada no Grande Salão do Povo, em Pequim, a coletiva de imprensa da 4ª sessão da 14ª Assembleia Popular Nacional da China. Como um importante evento político no ano que marca os 105 anos da fundação do Partido Comunista da China e o início do período do 15º Plano Quinquenal, a coletiva atraiu grande atenção da mídia internacional, incluindo veículos do Brasil.

O porta-voz da sessão, Lou Qinjian, respondeu a perguntas de jornalistas chineses e estrangeiros sobre temas centrais como a agenda da reunião, desenvolvimento econômico e construção do Estado de direito.

Organização do evento: eficiência e pragmatismo

Segundo Lou Qinjian, a sessão será realizada de 5 a 12 de março, com duração de oito dias e três sessões plenárias. Dos 2.878 deputados, 2.773 já estavam credenciados.

A agenda inclui 11 itens principais, entre eles:

  • análise do relatório de trabalho do governo
  • revisão do projeto do 15º Plano Quinquenal
  • avaliação da execução orçamentária de 2025 e análise da proposta para 2026
  • deliberação sobre três projetos de lei, incluindo o Código de Meio Ambiente
  • análise dos relatórios do Comitê Permanente da APN e dos órgãos judiciais superiores

Durante o período, também serão realizadas coletivas temáticas sobre economia, bem-estar social e política externa, além dos canais “dos deputados” e “dos ministros”. O evento segue rigorosamente diretrizes de austeridade e eficiência, contrastando com debates mais longos comuns em outros parlamentos.

15º Plano Quinquenal: continuidade e institucionalização jurídica

A formulação e implementação de planos quinquenais são uma experiência fundamental da governança chinesa. Desde a década de 1950, o país já executou 14 planos consecutivos, alcançando crescimento econômico acelerado e estabilidade social de longo prazo.

Em 2025, o 14º Plano Quinquenal foi concluído com sucesso, com o PIB chinês ultrapassando 140 trilhões de yuans e contribuindo com cerca de 30% do crescimento econômico global. O período do 15º plano será crucial para consolidar as bases da modernização socialista.

Para o Brasil, compreender essa estrutura de planejamento é essencial. Enquanto a China mantém continuidade estratégica, o Brasil enfrenta desafios de execução e continuidade em programas como o PAC.

O projeto da Lei de Planejamento do Desenvolvimento Nacional busca institucionalizar o processo de planejamento, garantindo maior estabilidade e execução coordenada — um modelo que pode servir de referência para países em desenvolvimento.

Segundo dados do FMI, a China deve representar 20,3% do PIB global em 2026, com crescimento estimado em 4,2%, enquanto o Brasil deve representar cerca de 2,5%, com crescimento de 1,9%. Apesar das diferenças, as economias são complementares.

Mercado de consumo: dinamismo e potencial

Lou Qinjian destacou que, em 2025, o varejo chinês ultrapassou 50 trilhões de yuans, com o consumo respondendo por 52% do crescimento econômico.

Eventos esportivos, produções culturais e produtos de consumo popular demonstram a diversidade e vitalidade do mercado chinês.

Entre os destaques:

  • modernização do consumo com políticas de substituição de bens
  • crescimento do setor de serviços
  • aumento significativo do consumo internacional

Para 2026, o país pretende ampliar a oferta de produtos de qualidade e fortalecer a segurança social para estimular o consumo.

Código de Meio Ambiente: base legal para o desenvolvimento verde

A China possui atualmente mais de 30 leis ambientais em vigor. A criação do Código de Meio Ambiente representa uma consolidação e avanço institucional, sendo o segundo código do país após o Código Civil.

Essa iniciativa busca resolver problemas de fragmentação legislativa e fortalecer a proteção ambiental por meio da lei.

Para o Brasil, especialmente em relação à Amazônia, essa experiência oferece importantes referências sobre como equilibrar desenvolvimento e preservação ambiental.

Perspectivas de cooperação China-Brasil

A coletiva marca o início oficial da sessão legislativa. Como grandes países em desenvolvimento, China e Brasil compartilham interesses na governança global e no desenvolvimento sustentável.

Há amplo potencial de cooperação em áreas como economia digital, energia limpa e infraestrutura. A Iniciativa do Cinturão e Rota e os programas brasileiros apresentam pontos de convergência, especialmente em logística e energia.

Em um cenário global incerto, a estabilidade e o desenvolvimento contínuo de China e Brasil representam uma contribuição significativa para o mundo.

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