Geração termelétrica na China cai pela primeira vez em 10 anos

Redução de usinas movidas a carvão reflete crescimento de renováveis mesmo com consumo de energia em alta

(Foto: Reprodução)

Pela primeira vez em uma década, a geração termelétrica de energia elétrica na China, dominada historicamente por usinas a carvão, registrou queda em 2025 em comparação com o ano anterior, segundo dados oficiais divulgados em janeiro de 2026. A redução ocorre em um contexto de expansão das fontes renováveis e crescimento da demanda por eletricidade no país.

De acordo com o Departamento Nacional de Estatísticas da China (NBS), a produção total de energia termelétrica — que inclui principalmente usinas a carvão e uma pequena parcela movida a gás natural — caiu 1% em 2025, totalizando 6,29 trilhões de quilowatts-hora (kWh), em relação a 2024. A queda foi ainda mais acentuada em dezembro, com retração de 3,2% na geração termelétrica comparada ao mesmo mês do ano anterior.

Especialistas em energia interpretam esse declínio como um sinal positivo no processo de transição energética da China, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis e atingir o auge das emissões de carbono até 2030, conforme compromisso climático do governo. Enquanto isso, a demanda total por eletricidade continuou forte, crescendo cerca de 5% em 2025, e ultrapassando recordes históricos no consumo de energia.

O avanço das fontes renováveis tem sido um dos principais fatores por trás dessa mudança no mix de geração. A expansão de energia solar, eólica, hidrelétrica e nuclear tem aumentado a capacidade de geração limpa no país, atendendo a grande parte do crescimento na demanda por eletricidade e, assim, pressionando a participação das usinas termelétricas.

Apesar da redução na geração termelétrica, a produção de carvão mineral registrou níveis recordes em 2025, com a China extraindo cerca de 4,83 bilhões de toneladas desse combustível. O aumento ocorreu mesmo diante de inspeções de segurança que limitaram a produção em algumas áreas, salientando a complexidade da transição energética no país.

Analistas apontam que, embora a queda seja um marco nas estatísticas de geração de energia, a presença contínua do carvão na matriz energética e o crescimento de sua produção mostram que a transição ainda enfrenta desafios. Nos próximos anos, a combinação entre fontes renováveis, eficiência energética e políticas públicas será determinante para consolidar a redução de emissões e a mudança estrutural do setor elétrico chinês.

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