A biomédica e doutora em Biotecnologia Ester Miranda Pereira, vinculada ao Laboratório de Imunogenética e Biologia Molecular da Universidade Federal do Piauí (LIB-UFPI), foi anunciada por veículos locais como uma das 15 selecionadas na América Latina para participar do China–Latin America Youth Entrepreneurship and Innovation Program and Innovation Tour in China, iniciativa de intercâmbio em ciência, tecnologia e inovação com foco em empreendedorismo científico e cooperação internacional. A notícia foi divulgada em 7 de janeiro de 2026, com a indicação de uma agenda de imersão e visitas técnicas em centros de inovação chineses ao longo do mês.
A participação ganha relevância por conectar uma trajetória ancorada no Sistema Único de Saúde (SUS) a um circuito internacional de tecnologia. Em publicação institucional da UFPI, o LIB/UFPI informa ter realizado mais de mil atendimentos gratuitos e diagnosticado mais de 30 tipos de doenças genéticas e/ou raras, ampliando o acesso ao diagnóstico no estado. O Setor de Genética Médica, segundo a universidade, foi implantado em 2021 por Ester Miranda e pela professora Semiramis Jamil, coordenadora do laboratório; o serviço inclui, entre outras frentes, exames como cariótipo e triagens que evitam deslocamentos de pacientes para outros estados.
Do lado chinês, o programa é associado ao China-LAC Technology Transfer Center (CLTTC), que se apresenta como uma plataforma voltada à cooperação sino-latino-americana em inovação. Uma publicação do próprio CLTTC registra o lançamento do “China–Latin America Youth Entrepreneurship and Innovation Program” e do “Innovation Tour in China” em 2024, dentro de uma agenda de aproximação entre universidades, institutos de pesquisa e empresas.
Há, no entanto, diferenças de cronograma e escala entre relatos jornalísticos e documentos públicos do programa. Um edital de recrutamento ligado à iniciativa descreve uma estrutura em duas fases: treinamento online entre 15 de novembro de 2025 e 15 de fevereiro de 2026 e um tour presencial previsto para março–abril de 2026, com visitas de campo em cidades da província de Guangdong, como Dongguan, Guangzhou e Zhuhai. O mesmo documento menciona um grupo maior de participantes na etapa online e a seleção de um contingente para a fase presencial, o que sugere que números e datas podem variar conforme a etapa e o recorte considerado por cada fonte.
Mesmo com essas nuances, o caso reforça um ponto recorrente na cooperação Brasil–China: a disputa por capacidade de transformar pesquisa aplicada em soluções escaláveis. Para o Piauí, a visibilidade de projetos ligados a doenças raras e plataformas digitais pode abrir portas para parcerias técnicas, intercâmbio de metodologias e acesso a ecossistemas de investimento em inovação — desde que os resultados se convertam em protocolos, ferramentas e redes compatíveis com as necessidades do SUS. Para a relação bilateral, a trajetória expõe um vetor de interesse pragmático: transferência de tecnologia com foco social, conectando saúde pública brasileira e cadeias de inovação chinesas em um terreno onde resultados mensuráveis tendem a falar mais alto do que discursos.













