Brasileira de 13 anos do litoral de SP representa o país em olimpíada de matemática na China

Estudante de Santos viaja com os pais para Shenzhen após destaque em competição de Singapura e simboliza nova geração de “atletas do conhecimento”

(Foto: Reprodução)

Aos 13 anos, a santista Gabriela Elias Rodrigues trocou, por alguns dias, a rotina escolar no litoral paulista por salas de prova e auditórios na China. A estudante integra a delegação brasileira nas Olimpíadas Acadêmicas Internacionais de Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática (STEAM AHEAD 2025), realizadas em Shenzhen, após se destacar em uma competição internacional sediada em Singapura. Para a família, a viagem é mais que um desafio acadêmico: é a confirmação de uma trajetória marcada por curiosidade intelectual e apoio constante em casa e na escola.

Filha de uma advogada e de um pai apaixonado por ciências exatas, Gabriela cresceu em um ambiente que estimulou o gosto por matemática e áreas correlatas. A escola em que estuda desde os 2 anos teve papel decisivo ao incentivá-la a participar de olimpíadas nacionais e internacionais. Foi a própria instituição que a inscreveu em uma competição de Singapura, em 2024, realizada de forma virtual. Depois de passar pela primeira fase aplicada na escola, a jovem garantiu vaga para as finais mundiais no início de 2025.

A etapa seguinte, porém, trouxe obstáculos pouco comuns. A prova final coincidiu com uma viagem da família ao Pantanal, em uma área isolada e com internet instável. Para participar, Gabriela precisou seguir um rígido protocolo de segurança, com gravação do exame e regras específicas de aplicação fora do ambiente escolar. Mesmo assim, enfrentou problemas de conexão: a internet caiu quando faltavam 15 minutos para o fim da prova. O sistema salvou automaticamente o que já havia sido feito, mas parte do exame ficou em branco. Ainda assim, o desempenho foi considerado excelente pela organização, que concedeu à brasileira uma menção honrosa.

A família acreditava que aquela conquista já representava o auge da experiência olímpica. A surpresa veio quando a organização comunicou que o resultado de Singapura também credenciava Gabriela para integrar a delegação brasileira na STEAM AHEAD 2025, na China. Aproximadamente 30 jovens compõem o grupo brasileiro, embora nem todos tenham conseguido viajar. Gabriela chegou a Shenzhen em 12 de dezembro, acompanhada dos pais, que decidiram arcar pessoalmente com os custos da viagem para apoiá-la de perto. A prova foi realizada no dia 13, e a família aguarda agora a cerimônia de premiação, marcada para o dia 17.

O processo de preparação para a olimpíada na China foi afetado pelo fuso horário e pela agenda da adolescente. As aulas oferecidas pela organização nem sempre coincidiam com os horários possíveis no Brasil, o que limitou o tempo de estudo específico para a prova. Ainda assim, a orientação em casa foi clara: mais importante que a medalha é a vivência internacional, a troca de experiências e o fato de representar o Brasil em um evento global de alto nível acadêmico. A mãe define a sensação como “muita emoção”, destacando o orgulho de ver a filha como uma espécie de “atleta olímpica do conhecimento”.

A história de Gabriela também joga luz sobre o papel das escolas e das famílias na formação de talentos em ciências exatas no Brasil. Em um contexto em que competições internacionais em áreas de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) ganham visibilidade, casos como o da jovem santista mostram como iniciativas de incentivo, desde a educação básica, podem abrir portas para experiências acadêmicas globais. Ao cruzar o caminho entre o litoral de São Paulo, o Pantanal brasileiro, Singapura e agora Shenzhen, a trajetória da estudante simboliza uma geração que enxerga na matemática não apenas um desafio escolar, mas uma ponte para o mundo.

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