A MGI foi fundada em 2016 com a missão de acelerar o desenvolvimento de tecnologias de sequenciamento genético e automação laboratorial. Em termos práticos, como esse tipo de pesquisa e inovação impacta a vida das pessoas, seja ao melhorar os diagnósticos médicos, ampliar aplicações tecnológicas ou tornar os serviços laboratoriais mais rápidos e acessíveis?
A MGI é especializada em pesquisa, desenvolvimento, fabricação e comercialização de instrumentos de alto desempenho, reagentes e soluções integradas para ciências da vida e biotecnologia. Nossa tecnologia impulsiona avanços em medicina de precisão, agricultura, saúde e outras áreas, oferecendo soluções digitais multiômicas em tempo real para uma ampla gama de aplicações. Ao tornar o sequenciamento mais rápido, mais automatizado e mais acessível, a MGI ajuda os diagnósticos médicos a fornecerem resultados com maior agilidade, precisão e menor custo. Na área da saúde, isso significa diagnósticos mais precoces e precisos de doenças genéticas e câncer, apoiando decisões terapêuticas mais adequadas. Na saúde pública, possibilita a detecção e o monitoramento mais rápidos de doenças infecciosas e de variantes emergentes. Na agricultura, ao analisar genomas de plantas e do solo, os pesquisadores conseguem identificar métricas relacionadas à tolerância à seca e à resistência a doenças, acelerando o desenvolvimento de variedades agrícolas mais eficientes.
Como a presença da MGI no Brasil tem contribuído para ampliar o acesso às tecnologias de NGS (Next-Generation Sequencing) e à automação laboratorial no país?
Após o investimento em nosso centro de experiência do cliente, com equipes locais de vendas e suporte comercial, além da parceria com distribuidores, laboratórios e instituições de pesquisa brasileiras, a MGI viabilizou a implantação local de plataformas de sequenciamento de alta capacidade e custo eficiente, adaptadas às necessidades do país. Um exemplo é a Dasa, a maior empresa de diagnósticos médicos da América Latina, que implementou os sequenciadores e produtos de automação da MGI em seu laboratório. A instalação dos equipamentos de alto rendimento T7, do Sistema Automatizado de Preparação de Amostras SP-100, do Sistema Automatizado de Preparação de Amostras SP-960 e do equipamento ZTRON Appliance irá otimizar o tempo dos profissionais nos processos de análise, reduzir custos gerais e aumentar significativamente a eficiência dos laboratórios. Em um país onde o acesso a tecnologias médicas avançadas historicamente foi limitado pelos altos custos, essa parceria representa um avanço importante. Ao ampliar o acesso aos testes genômicos, mais brasileiros podem se beneficiar dos avanços mais recentes da medicina de precisão. Construímos parcerias semelhantes com o Grupo Oncoclínicas, Eva Holding Group, Grupo Sabin, Unidade de Apoio ao Diagnóstico (UNADIG) e laboratórios da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Como resultado, mais laboratórios conseguem adotar NGS e automação em escala, melhorando a eficiência, reduzindo custos e ampliando o uso prático da genômica no Brasil.
Você poderia comentar sobre os resultados concretos alcançados desde o início das operações da MGI no Brasil?
A MGI atua na América Latina desde 2019. Desde então, nossas tecnologias vêm sendo adotadas em diversos projetos nas áreas de saúde, saúde pública, pesquisa e agricultura. Em saúde pública e pesquisa em doenças infecciosas, apoiamos projetos nacionais brasileiros voltados a doenças raras. Nossas plataformas também têm sido utilizadas por institutos de pesquisa brasileiros como a Fiocruz, o Grupo Oncoclínicas, o Eva Holding Group, o Grupo Sabin e a Dasa. Na agricultura e na agrigenômica, as tecnologias da MGI têm apoiado projetos relacionados à biodiversidade da Floresta Amazônica. Unimos esforços com a Universidade Federal do Pará (UFPA) para enfrentar desafios ligados à biodiversidade amazônica por meio de tecnologias avançadas de sequenciamento. O foco inicial da pesquisa é o pirarucu (Arapaima gigas), o maior peixe de água doce da Amazônia. Desenvolvemos testes específicos de paternidade para verificar a origem do produto – se ele provém de determinada fazenda ou da pesca extrativista. É a primeira vez que nossa tecnologia é utilizada em espécies diretamente ligadas à biodiversidade brasileira, tão relevante no contexto global. Isso demonstra como a tecnologia genômica pode impulsionar avanços não apenas na saúde e na agricultura, mas também na sustentabilidade ambiental. Em 2024, inauguramos no Brasil o Customer Experience Center (CEC). Com 270 m², a unidade está localizada no Brooklin Paulista, em São Paulo, e foi projetada para oferecer tecnologia avançada a laboratórios clínicos, universidades e hospitais.
O novo centro de experiência em São Paulo funcionará apenas como um espaço de demonstração ou também atuará como um polo de codesenvolvimento com instituições brasileiras em áreas como NGS, automação e bioinformática?
O CEC não é apenas um espaço de demonstração, mas também um ambiente onde laboratórios clínicos, universidades e hospitais podem participar de demonstrações, ampliando sua formação e experiência com a tecnologia da empresa. Profissionais altamente qualificados conduzirão treinamentos certificados, demonstrações, avaliações e suporte local para novas aplicações. Pesquisadores e outros profissionais poderão vivenciar toda a gama de soluções end-to-end da MGI no CEC.
Embora a MGI tenha projetos conhecidos no estado do Amazonas, qual é hoje o alcance geográfico das operações da empresa no Brasil e como variam as demandas de hospitais, laboratórios e universidades entre as diferentes regiões?
Atualmente, nossas tecnologias são utilizadas em nove estados brasileiros, com destaque para São Paulo e Rio de Janeiro, onde hospitais, laboratórios privados e universidades demandam sequenciamento de alta capacidade para pesquisa clínica, oncologia e genômica populacional. Hospitais, laboratórios e institutos de pesquisa nos grandes centros urbanos concentram-se principalmente em aplicações clínicas como oncologia, pesquisa de doenças raras e saúde reprodutiva, áreas em que rapidez nos resultados e confiabilidade são essenciais. Para atender a essas demandas, nossas soluções vêm sendo utilizadas em diagnósticos oncológicos acessíveis por hospitais e laboratórios, além de apoiar projetos genômicos como os da Fiocruz, que sequenciou 1.000 genomas completos em 2025, permitindo que os brasileiros tenham acesso local a pesquisa genômica e diagnóstico oncológico de alto nível. Já em regiões menos centralizadas, há maior valorização da facilidade de uso e da eficiência de custos.
Qual é o papel estratégico do Brasil nesse ecossistema global de inovação e em quais áreas o país tem potencial para se tornar um polo relevante de multiômica (análise integrada, em escala, de múltiplos componentes biológicos) e NGS?
O Brasil desempenha um papel estrategicamente importante em nosso ecossistema global devido à sua escala, capacidade científica e redes colaborativas em toda a região da América Latina. Ao mesmo tempo, o aumento dos investimentos em pesquisa clínica e medicina de precisão fortalece o papel do país na genômica aplicada.
A adoção da medicina de precisão, que depende de NGS, bioinformática e infraestrutura laboratorial, ainda enfrenta desafios relevantes no Brasil. Quais são as principais barreiras identificadas pela MGI e como elas podem ser superadas?
Um dos principais desafios é o acesso desigual à infraestrutura, com capacidades avançadas de sequenciamento e bioinformática concentradas nos grandes centros urbanos. Outra barreira importante é a escassez de profissionais qualificados. É por isso que, em nosso Customer Experience Center, em São Paulo, oferecemos programas de treinamento para médicos e bioinformatas, voltados ao melhor uso das tecnologias genômicas. Superar essas barreiras exige a combinação de tecnologias mais acessíveis e escaláveis, maior investimento e colaboração mais forte entre a indústria e outros atores do ecossistema.
Quais setores brasileiros, como saúde, agronegócio, pesquisa acadêmica e ciências ambientais demonstram maior prontidão para incorporar plataformas de NGS e tecnologias multiômicas?
Todos eles demonstram grande disposição para a adoção dessas tecnologias.
A comunicação sobre genética e sequenciamento costuma ser complexa. Como a MGI equilibra a precisão científica com a clareza para o público em geral e quais iniciativas de marketing, educacionais ou de conteúdo a empresa considera essenciais para ampliar o entendimento e a aceitação do NGS no Brasil?
Utilizamos comunicação integrada, relações públicas locais e estratégias de engajamento com a mídia brasileira em língua portuguesa para tornar nossa inovação tangível e relevante. Um exemplo é o documentário sobre a Floresta Amazônica, que destacou como o sequenciamento pode apoiar a pesquisa em biodiversidade e meio ambiente, gerando amplo interesse público e cobertura da mídia brasileira.
O setor de tecnologia tem se associado cada vez mais a veículos de mídia, criadores de conteúdo e plataformas digitais para traduzir temas complexos para públicos mais amplos. A MGI possui iniciativas ou planos para colaborar com os ecossistemas de comunicação e tecnologia do Brasil a fim de ampliar a visibilidade da ciência genômica?
Sim, estamos em diálogo e colaboração com veículos brasileiros especializados em saúde.
A MGI atua em mais de 100 países, com diferentes níveis de maturidade científica e cultural. O que representa o uso mais avançado de NGS e multiômica nos mercados globais em que a empresa opera e como o comportamento do público – em termos de confiança, acesso e aceitação dessas tecnologias – se compara ao cenário brasileiro?
O uso mais avançado de NGS e multiômica é observado em países com sistemas de saúde maduros e forte infraestrutura de pesquisa, como Estados Unidos, Europa e China. Nesses mercados, a aceitação pública tende a ser elevada, sustentada por ampla conscientização, regulação robusta e integração clínica consolidada. No Brasil, grandes hospitais e centros de pesquisa vêm adotando NGS e multiômica em escala, mas a disseminação mais ampla ainda é limitada por lacunas de infraestrutura, barreiras de custo e pela necessidade de formação de mais profissionais qualificados.

