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Principal analista do Financial Times prevê derrota de Trump na guerra contra a China

Martin Wolf afirma que os EUA desperdiçam seus maiores ativos estratégicos enquanto a China consolida sua influência global

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(Foto: Reprodução/ xpert.digital)

Em uma análise incisiva publicada no Financial Times, o principal comentarista econômico do jornal britânico, Martin Wolf, traça um diagnóstico sombrio sobre a estratégia dos Estados Unidos frente à China sob a liderança do presidente Donald Trump, reeleito para seu segundo mandato em 2025. Segundo Wolf, a guerra comercial iniciada por Trump é não apenas contraproducente, mas fadada ao fracasso. “A resposta, nos dois casos, é ‘não’”, afirma ele, ao questionar se os EUA podem vencer a disputa tarifária ou a competição estratégica mais ampla com o gigante asiático.

Wolf destaca que os EUA estão abrindo mão de seus principais ativos geopolíticos e econômicos — como alianças internacionais, credibilidade institucional e estabilidade política — enquanto a China joga de maneira mais coesa e estratégica. “Os EUA estão jogando fora todos os ativos de que precisam para manter seu status no mundo contra uma potência tão enorme, capaz e determinada quanto a China”, escreve o analista.

Segundo ele, as tarifas recíprocas impostas por ambos os países — 145% por parte dos EUA sobre produtos chineses e 125% pela China sobre produtos norte-americanos — criaram um cenário de “impasse mexicano”, em que nenhuma das superpotências pode sair vitoriosa. A China, por sua vez, restringiu exportações de insumos estratégicos como as “terras raras”, aprofundando o confronto.

Martin Wolf também desmonta a ilusão de que os EUA possam isolar a China por meio de acordos bilaterais com outros países. “Esse desfecho é verossímil? Não. Os EUA não conseguirão os acordos que aparentemente buscam e a vitória sobre a China que almejam”, sentencia. Ele aposta que Trump, diante do insucesso, recuará parcialmente, declarará vitória e mudará de direção — sem que isso altere a realidade do fracasso estratégico.

O texto ressalta ainda que a China já superou os EUA em volume de comércio com parceiros estratégicos como Austrália, Brasil, Índia, Japão e Coreia do Sul. “Acima de tudo, os EUA se tornaram pouco confiáveis”, adverte Wolf. Para ele, um país que adota uma postura puramente “transacional”, como o de Trump, perde a confiança de aliados históricos e se isola em um cenário global complexo.

A crítica mais severa, no entanto, é voltada ao processo de erosão institucional dos EUA sob Trump. O autor aponta a tentativa de transformar o Estado de Direito em instrumento de vingança, o desprezo pela ciência e pela educação, o ataque a estatísticas confiáveis e a hostilidade contra imigrantes. Wolf encerra sua análise com um alerta: o mundo precisa de Estados Unidos que sejam capazes de competir e cooperar com a China. “Os EUA que temos hoje, infelizmente, não conseguirão fazer nenhuma das duas coisas.” A análise revela não apenas o fracasso de uma estratégia comercial, mas uma crise mais profunda — a decadência do modelo de liderança global que os EUA construíram ao longo do século XX.

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