A presença de robôs com inteligência artificial no cotidiano cultural e comercial de Pequim ganhou destaque nas últimas semanas, impulsionada pela repercussão global após sua aparição no Festival da Primavera, a tradicional gala televisiva que celebra o Ano Novo Chinês. A experiência agora extrapola o palco televisivo e passa a ser testada em ambientes públicos da capital chinesa, sinalizando um movimento mais amplo de integração entre tecnologia, cultura e comércio.
Realizado anualmente e transmitido pela China Media Group (CMG) em uma das maiores audiências televisivas do mundo, o Festival da Primavera tem se transformado em palco para inovações tecnológicas. Nesta edição, robôs humanoides apresentados por empresas como Unitree Robotics, MagicLab, Galbot e Noetix participaram de performances que incluíram artes marciais, dança e esquetes cômicas ao lado de artistas humanos, chamando a atenção tanto de espectadores domésticos quanto de públicos internacionais. Os movimentos sincronizados dos robôs, incluindo acrobacias e sequências inspiradas em kung fu tradicional, demonstram avanços consideráveis na mobilidade e coordenação dessas máquinas em relação a edições anteriores.
A Nova Era dos Robôs no Entretenimento Cultural e Comércio
A repercussão desse uso de tecnologia no principal evento cultural da China desencadeou uma estratégia para levar aplicações semelhantes além da televisão. Durante o feriado prolongado do Ano Novo Lunar, o Museu do Palácio, em Pequim, incorporou robôs equipados com inteligência artificial na Feira do Grande Templo, um dos eventos culturais mais movimentados da cidade. Ali, essas máquinas foram utilizadas para interagir com visitantes, vender produtos culturais, explicar itens expostos e até realizar transações de compra e venda. A iniciativa busca testar modelos de varejo automatizado em locais com grande circulação de público.
No estande do museu, um modelo de robô conhecido como S1, desenvolvido pela empresa Stardust Intelligence, atuou como atendente, respondendo a comandos de voz, processando pedidos e pagamentos, localizando e entregando mercadorias, além de conduzir jogos temáticos com os visitantes. Essa utilização demonstra como robótica e inteligência artificial podem ser aplicadas em serviços ao consumidor em contextos culturais e turísticos, indo além de meras atrações tecnológicas.
Especialistas em tecnologia e varejo observam que iniciativas desse tipo podem servir de laboratório para soluções que eventualmente sejam replicadas em outras cidades chinesas e em contextos comerciais diversos, como museus, shoppings e centros de entretenimento. Embora ainda existam desafios técnicos e custos elevados associados à adoção em larga escala, esses experimentos funcionam como um importante passo na transição dos robôs de um papel predominantemente industrial para um uso mais amplo em serviços interativos ao público. Alguns analistas também destacam que a visibilidade obtida por meio de eventos culturais tradicionais confere legitimidade e familiaridade à tecnologia entre diferentes faixas de consumidores.
A movimentação reflete, de maneira mais ampla, o esforço da China em consolidar sua posição como um dos principais atores globais no desenvolvimento de robótica e inteligência artificial. Países asiáticos, incluindo a China, têm investido pesado em pesquisa e desenvolvimento nessa área, com o objetivo de integrar máquinas inteligentes em setores que vão desde a manufatura até serviços ao consumidor, educação e assistência social. Esse impulso tecnológico também acompanha desafios demográficos, como o envelhecimento da população, que incentivam a busca por soluções automatizadas e assistivas.
Nos próximos anos, a expansão desses testes em ambientes culturais e comerciais poderá oferecer pistas sobre como os robôs humanoides e sistemas inteligentes irão se integrar nas experiências diárias dos consumidores, não apenas em festivais e eventos especiais, mas em atividades cotidianas no varejo e na cultura.
Fonte: china2brazil.com.br
