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Veículos chineses ganham espaço no Brasil em 2025, mas indústria local sente impacto da alta de juros

Aumento de 53,1% nas importações de carros de marcas chinesas contrasta com queda de 8,2% na produção nacional e frustração das metas da Anfavea para o ano

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(Foto: Divulgação)

As importações de veículos de marcas chinesas para o Brasil dispararam em 2025 e vêm redesenhando o mapa do setor automotivo no país. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entre janeiro e novembro as compras de carros chineses cresceram 53,1% em relação ao mesmo período de 2024, alcançando 161.952 unidades. O desempenho faz da China o fornecedor com maior expansão para o maior mercado automotivo da América Latina neste ano, consolidando a presença das montadoras chinesas nas concessionárias brasileiras.

Esse movimento ocorre em paralelo a um comércio exterior mais dinâmico também na ponta das exportações. No mesmo intervalo, o Brasil ampliou em 100,9% o volume de veículos enviados à Argentina, principal parceiro regional no setor, atingindo 295.258 unidades. O salto é explicado, em grande medida, pelo acordo bilateral vigente entre os dois países, que favorece o fluxo de veículos e autopeças. O contraste entre a forte expansão das vendas externas e a maior dependência de veículos importados, especialmente da China, ajuda a dimensionar a reconfiguração em curso nas cadeias produtivas e comerciais do setor.

Apesar do bom desempenho nas trocas internacionais, a produção nacional de veículos recuou em 2025. Entre janeiro e novembro, a indústria automotiva brasileira registrou queda de 8,2% na comparação com o mesmo período de 2024. No mercado interno, o comportamento foi menos uniforme: novembro teve a melhor média diária de vendas do ano, com 12.600 unidades emplacadas, mas ainda abaixo dos patamares observados no ano passado. Ao apresentar os resultados, o presidente da Anfavea, Igor Calvet, admitiu que a entidade já não trabalha com a expectativa de cumprir a meta de aumento de 7,8% na produção projetada para o ano.

Um dos principais fatores apontados por Calvet para explicar a desaceleração é o aperto monetário adotado entre 2024 e 2025. Em novembro de 2024, a taxa básica de juros estava em 11,3%; hoje, atinge 15%. No crédito para pessoas físicas, a taxa média passou de 26,4% para 27,4% no mesmo intervalo. Esse encarecimento do crédito afeta diretamente a compra de bens duráveis, como automóveis, reduzindo a capacidade de consumo das famílias e pressionando o desempenho das montadoras instaladas no país, mesmo em um cenário de alguma recuperação pontual nas vendas.

O resultado é um quadro ambíguo: de um lado, marcas chinesas ampliam rapidamente sua presença no mercado brasileiro, apoiadas em importações crescentes; de outro, a produção nacional perde fôlego em meio a juros elevados e condições mais restritivas de financiamento. Ao mesmo tempo, as exportações para a Argentina sustentam parte da atividade industrial, mas não são suficientes para compensar integralmente a queda interna. Para o setor automotivo, 2025 se desenha como um ano de ajuste, em que a combinação entre política monetária, competitividade internacional e estratégias comerciais das montadoras será decisiva para definir os rumos da produção e do emprego nos próximos anos.

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