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Trump e Putin se reúnem no Alasca, mas saem sem acordo sobre a Ucrânia

Encontro expõe divergências profundas, preocupa Europa e reforça debate sobre o papel do Brasil e da China na construção de uma paz duradoura

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(Foto: Reprodução / Xinhua / Wu Xiaoling)

O aguardado encontro entre Donald Trump e Vladimir Putin, realizado em Anchorage, no Alasca, terminou sem acordos concretos. Durante três horas de conversas, os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia discutiram a guerra na Ucrânia e tentaram redesenhar as relações bilaterais, mas divergências profundas impediram avanços reais.

Trump tentou vender a cúpula como um “progresso”, afirmando que houve entendimentos importantes, mas admitiu em entrevista à Fox News que subestimou a complexidade do conflito. “Achei que seria o mais fácil de resolver, e está sendo o mais difícil”, disse. Putin, por sua vez, reforçou que a Rússia busca encerrar a guerra, mas insistiu na necessidade de discutir as “causas primárias” do confronto, num recado indireto a Kiev e às potências europeias.

Europa à margem e tensões no processo de paz

Enquanto Trump e Putin trocavam gestos de cordialidade — o russo chegou a ser recebido com tapete vermelho no aeroporto —, líderes europeus e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, demonstraram preocupação em ficar de fora das negociações. Zelensky anunciou que viajará a Washington para discutir uma possível reunião trilateral com Trump e Putin, mas ressaltou que a Europa não pode ser excluída do processo.

Países da União Europeia reforçaram em comunicado conjunto que garantias de segurança para a Ucrânia precisam ser respaldadas também pelo bloco. O temor é de que o destino do conflito seja decidido entre Moscou e Washington, deixando o continente como mero espectador.

O impacto global e o olhar do Brasil e da China

A cúpula no Alasca vai muito além do campo de batalha ucraniano: ela coloca em jogo os rumos da segurança internacional e da geopolítica energética. Tanto Brasil quanto China acompanham de perto os desdobramentos.

Para o Brasil, que sediará a COP30 em Belém ainda este ano, a instabilidade no Leste Europeu pode afetar diretamente preços de commodities agrícolas e energéticas, setores em que o país é protagonista global. Já para a China, que mantém forte parceria econômica tanto com Moscou quanto com Kiev, o prolongamento da guerra pressiona sua estratégia de estabilidade no fornecimento de energia e insumos.

Além disso, o episódio reforça a relevância de fóruns multilaterais como os BRICS, que defendem soluções diplomáticas mais inclusivas. Pequim e Brasília têm insistido na necessidade de negociações amplas, que incluam não apenas os atores militares, mas também países emergentes, a fim de garantir uma paz sustentável.

Próximos passos incertos

Trump prometeu uma nova rodada de conversas, possivelmente em Moscou, mas não há garantias de avanços. A ausência de um acordo no Alasca deixa o conflito num impasse perigoso, com risco de prolongar tensões e ampliar a sensação de insegurança global.

No fim, a cúpula mostrou mais divergências do que consensos e evidenciou que a busca pela paz ainda depende de negociações multilaterais, onde Brasil e China podem desempenhar papéis de ponte — conectando diferentes interesses e reforçando a necessidade de um futuro que não seja decidido apenas pelas grandes potências militares.

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