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Trégua entre EUA e China deve continuar por mais 90 dias e Brasil observa com atenção os desdobramentos

Extensão do alívio tarifário entre as duas maiores economias do mundo mantém respiro no comércio global, mas impõe ao Brasil o desafio de recalibrar sua estratégia externa

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(Foto: Reprodução)

As tensões comerciais entre Estados Unidos e China, que há anos moldam o cenário econômico internacional, ganharam um novo capítulo nesta semana. De acordo com fontes citadas por veículos como Valor Econômico, O Globo e Terra, Washington e Pequim devem prorrogar por mais 90 dias a trégua tarifária que vem garantindo um respiro nas sanções bilaterais. Embora o anúncio oficial ainda não tenha sido feito, o entendimento é que a medida visa preservar o atual ambiente de estabilidade, sobretudo em um ano de eleições nos EUA e de desaceleração econômica global.

Desde o início da guerra comercial, iniciada em 2018, o mundo inteiro tem sentido os reflexos dos embates entre as duas potências. Tarifas sobre produtos agrícolas, tecnologia, metais e bens de consumo se tornaram armas de pressão mútua, com efeitos colaterais em diversas cadeias produtivas. A pausa em vigor — que já dura meses — suspendeu parte dessas tarifas e evitou novas escaladas, favorecendo um clima de negociação mais ameno.

Para o Brasil, a extensão dessa trégua tem impacto direto, mesmo que de forma indireta. Como país que mantém relações comerciais estratégicas tanto com os Estados Unidos quanto com a China, o Brasil se vê em uma posição de equilíbrio delicado. A continuidade do alívio tarifário pode ajudar a manter preços estáveis de commodities, como soja e minério de ferro, que têm a China como principal destino. Por outro lado, também reduz as chances de o Brasil ocupar nichos deixados vagos por barreiras entre os dois gigantes.

Além disso, a prorrogação da trégua afeta a leitura que o mercado faz sobre o risco geopolítico global. Um cenário de paz comercial entre as duas maiores economias do mundo ajuda a conter a volatilidade cambial, atrai investimentos e melhora as perspectivas para países emergentes — entre eles, o Brasil. No entanto, especialistas apontam que essa pausa, embora bem-vinda, não significa resolução. É mais um “acordo de oxigênio” do que um tratado definitivo.

Nesse jogo de xadrez, o Brasil tem buscado ampliar sua margem de manobra. De um lado, tenta aprofundar acordos com a China em áreas como tecnologia, energia renovável e infraestrutura. Do outro, mantém canais diplomáticos abertos com os Estados Unidos, sobretudo no campo da defesa, meio ambiente e investimentos em inovação.

A mensagem que fica é clara: o mundo está em transição e o Brasil precisa agir com inteligência para não ficar à margem. A trégua entre EUA e China é um alívio momentâneo, mas também uma oportunidade para o país fortalecer sua posição como parceiro confiável e estratégico — capaz de dialogar com os dois lados, sem perder de vista os seus próprios interesses.

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