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Parlamento do Peru destitui a presidente Dina Boluarte e aprofunda crise política no país

Congresso aprova moção de vacância por “incapacidade moral permanente”; vice assume interinamente até novas eleições

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(Foto: Reprodução)

O Parlamento do Peru aprovou nesta sexta-feira (10) a destituição da presidente Dina Boluarte, encerrando um governo marcado por protestos, instabilidade e denúncias de autoritarismo. A decisão foi tomada por 92 votos a favor, 18 contra e 5 abstenções, superando o mínimo constitucional de 87 votos exigidos para declarar a “vacância presidencial por incapacidade moral permanente”.

Com a saída de Boluarte, o cargo será ocupado de forma interina pelo vice-presidente do Congresso, Alejandro Soto, até que novas eleições gerais sejam convocadas. O Tribunal Constitucional confirmou a legalidade do processo e ordenou a transição imediata do poder.

A destituição ocorre em meio a crescentes acusações de corrupção, abuso de autoridade e violações de direitos humanos durante a repressão aos protestos de 2023 e 2024, que deixaram mais de 70 mortos em confrontos entre manifestantes e forças de segurança. O Parlamento também citou irregularidades nas declarações patrimoniais da ex-presidente e suposto envolvimento em contratos irregulares de obras públicas.

Em pronunciamento antes da votação, Dina Boluarte classificou o processo como um “golpe parlamentar disfarçado” e anunciou que recorrerá à Corte Interamericana de Direitos Humanos. “Não lutei pelo poder, lutei pela estabilidade do Peru. Hoje, a democracia foi ferida novamente”, declarou em rede nacional.

A destituição reacende uma crise institucional crônica no país, que já teve seis presidentes em menos de sete anos, refletindo a fragmentação política e o desgaste das instituições. Setores da oposição e movimentos sociais exigem eleições antecipadas e uma nova Assembleia Constituinte, enquanto o setor empresarial pede estabilidade e moderação nas transições.

Analistas políticos apontam que o episódio aprofunda o isolamento do Peru no cenário regional e pode dificultar negociações comerciais e diplomáticas com parceiros estratégicos, como Brasil e China. Para Lima, o desafio imediato será restaurar a governabilidade e conter o avanço da polarização, em um cenário político cada vez mais imprevisível.

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