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“Papel de pedra” chinês une fibra de basalto e tradição e mira novos mercados

Material exibido em Wuhan promete mais resistência à umidade e ao fogo; aplicações vão de artes a preservação, mas chegada ao Brasil ainda depende de escala e cadeia de fornecimento.

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(Foto: Reprodução)

Um novo tipo de papel desenvolvido na China, descrito como uma combinação entre fibra de basalto de alta tecnologia e técnicas tradicionais do papel chinês, vem ganhando atenção no país e pode, em tese, abrir espaço para mercados externos como o Brasil. A inovação foi apresentada em uma exposição de artistas contemporâneos realizada em Wuhan, na província de Hubei, segundo reportagem do Diário da Região, que atribui a informação ao Diário do Povo.

De acordo com o relato, o material incorpora fibra de basalto — obtida a partir da trituração e fusão da rocha para formar filamentos — junto a insumos associados à produção tradicional, como casca de árvores do gênero pteroceltis e palha de arroz. O texto aponta propriedades como elevada resistência mecânica, maior tolerância à umidade e ao fogo, além de flexibilidade e durabilidade, o que ajudaria a preservar leveza e, ao mesmo tempo, melhorar a absorção de tinta, característica valorizada por artistas.

A reportagem liga a popularização da fibra de basalto a um episódio que teve grande repercussão pública: a bandeira chinesa exibida na missão lunar Chang’e-6, descrita por veículos e instituições chinesas como feita com fibras de basalto para suportar condições extremas, como variações intensas de temperatura, radiação e vácuo. Esse uso em ambiente espacial ajudou a reforçar, no imaginário público, a ideia de um “tecido de pedra” capaz de resistir por longos períodos sem degradação acelerada.

Além do campo artístico, o material é apresentado como potencialmente relevante para restauração e preservação de manuscritos e documentos históricos, justamente por endereçar fragilidades do papel tradicional em ambientes úmidos, onde o amarelamento e a ação de insetos tendem a acelerar a deterioração. Ainda assim, a possibilidade de “chegar ao Brasil” permanece, por enquanto, no terreno da expectativa: não há, nas fontes abertas consultadas, anúncio de importação, parceria industrial ou cronograma público de entrada no mercado brasileiro, o que sugere que escala produtiva, custos e logística serão determinantes para qualquer avanço.

Para o Brasil, a discussão ocorre em um momento em que setores culturais, educacionais e de conservação buscam materiais mais duráveis e estáveis em diferentes climas — e em que a própria indústria editorial e de impressão acompanha, com mais atenção, inovações ligadas a desempenho e sustentabilidade. O teste real, porém, será transformar um material que hoje aparece como vitrine tecnológica e artística em produto com padrão consistente, certificações e cadeia de fornecimento confiável, capaz de competir com papéis especiais já disponíveis no país.

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