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Mineração chinesa avança no Brasil com compra bilionária de ativos de ouro da Equinox Gold

Aquisição de US$ 1,015 bilhão pela CMOC reforça presença da China no setor mineral brasileiro e reposiciona canadense como produtora focada na América do Norte

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(Foto: Reprodução)

A CMOC, um dos maiores grupos de mineração da China, deu mais um passo na diversificação de seu portfólio global ao fechar acordo de US$ 1,015 bilhão para comprar todas as operações da Equinox Gold no Brasil. O pacote inclui a Mina de Ouro Aurizona, no Maranhão, a Mina Riacho dos Machados (RDM), em Minas Gerais, e o Complexo Bahia, formado por Santa Luz e Fazenda Brasileiro. Com o negócio, a CMOC projeta elevar sua produção anual de ouro para cerca de 8 toneladas, consolidando sua entrada em um segmento de metais preciosos em plena valorização.

O desenho financeiro do acordo combina pagamento imediato e variável: serão US$ 900 milhões em dinheiro no fechamento, previsto para o primeiro trimestre de 2026, além de um pagamento contingente de até US$ 115 milhões, calculado um ano depois com base na receita gerada e no volume produzido. A estrutura vincula parte do valor ao desempenho futuro dos ativos, alinhando o interesse das duas mineradoras na eficiência das minas brasileiras.

Para a CMOC, a aquisição aprofunda uma trajetória de expansão no Brasil iniciada em 2016, quando comprou por US$ 1,7 bilhão os ativos de nióbio e fosfatos da Anglo American. Hoje, a empresa já é a segunda maior produtora de nióbio do mundo e de fertilizantes fosfatados no país, com operações em Goiás e São Paulo. Ao incorporar minas de ouro em três estados, a companhia passa a operar no Brasil com um portfólio multicommodities, combinando minerais estratégicos para a transição energética com metais preciosos que funcionam como proteção em ciclos econômicos mais voláteis.

O movimento se insere em uma tendência mais ampla de avanço de mineradoras chinesas no setor mineral brasileiro. Grupos como MMG, Zijin Mining, CNMC e Baiyin Nonferrous vêm disputando ativos de minerais críticos e metais preciosos, enquanto investimentos chineses em energia, petróleo, infraestrutura e mineração somaram bilhões de dólares nos últimos anos. A compra das minas da Equinox pela CMOC, portanto, não é um caso isolado, mas parte de um redesenho estrutural da presença chinesa na economia real do país.

Do lado da Equinox Gold, a venda marca um reposicionamento claro. A companhia usará a maior parte dos recursos para quitar dívidas e concentrar seu portfólio em ativos no Canadá, Estados Unidos e América Central, com meta de produzir entre 700 mil e 800 mil onças anuais de ouro a partir de 2026. Para o Brasil, a transação combina a entrada de novo capital, tecnologia e capacidade de investimento em regiões mineradoras com o desafio de garantir regulação, governança ambiental e coordenação entre esferas de governo, de modo a transformar o apetite chinês por ativos minerais em desenvolvimento sustentável e geração de valor local de longo prazo.

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