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Estudantes nos EUA ocupam universidades contra o genocídio em Gaza

O epicentro do movimento é a Universidade de Columbia, em Nova York, onde 108 estudantes foram presos na semana passada

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(Foto: YDSA)

Há uma semana, universidades estadunidenses se tornaram epicentro no país da luta contra o genocídio palestino cometido por Israel na Faixa de Gaza. Tudo começou com uma ocupação estudantil do campus da Universidade de Columbia em Nova York, levando posteriormente a ocupação de mais de  uma dúzia de universidades.

Os estudantes da Columbia, uma das universidades mais prestigiadas do país, iniciaram o movimento demandando que a universidade rompesse laços com empresas que lucram com a guerra em Gaza. Eles pedem também um cessar fogo imediato e ruptura de parcerias com universidades israelenses.

Repressão

Na quinta-feira passada (18), a administração da universidade reagiu à ocupação de maneira sem precedentes nas últimas décadas: chamando a polícia, que prendeu 108 estudantes. A última vez que a polícia havia entrado no campus e prendido estudantes foi em 1968, durante manifestações contra a guerra do Vietnã.

A polícia foi chamada em outras universidades. Em Yale, 45 estudantes foram presos por invasão, na New York University (NYU), a polícia prendeu mais de 150 manifestantes que protestavam na noite de segunda-feira (22).

A repressão, porém, foi um tiro que saiu pela culatra. No dia seguinte, a ocupação voltou – e voltou maior. Na segunda-feira (22), professores da Columbia se juntaram aos manifestantes no que se tornou um mar de barracas e bandeiras palestinas. A universidade fechou o campus e apenas estudantes passaram a poder entrar e sair.

Na terça-feira (23), a universidade decretou o prazo de meia-noite para que os estudantes se retirassem. Do lado de fora, centenas de manifestantes se aglomeraram em vigília para evitar a desocupação. A universidade voltou atrás. 

Antissemitismo?

Joe Biden, em uma nota oficial da Casa Branca em celebração da páscoa dos judeus, afirmou ver com preocupação o que chamou de “crescente antissemitismo” e que esse sentimento não teria espaço “nos campi das universidades ou em qualquer outro canto do país”.

O presidente da Câmara, o republicano de extrema direita Mike Johnson, deve visitar o campus na tarde de hoje. A defesa de Israel e a caracterização de que as manifestações contra o genocídio são antissemitas se tornaram um dos raros pontos de convergência entre governo e oposição.

Dentro do acampamento da Columbia, porém, os manifestantes negam que sejam antissemitas. Grande parte deles, inclusive, são do movimento Vozes Judias pela Paz, e fizeram uma celebração da páscoa judia no campus.

Jared Kannel, um dos estudantes judeus que está no acampamento, afirmou em entrevista a uma emissorade TV que “a páscoa é a história da fuga dos judeus da escravidão no Egito e nós precisamos reconhecer que é importante nos levantarmos pelos oprimidos em todos os lugares, sejam judeus ou não”.

Mais dinheiro para Israel

No meio desse levante estudantil, o governo celebrou no fim de semana a aprovação do chamado Pacote de Segurança Nacional pela Câmara e, na terça-feira (23), pelo Senado. O pacote vai destinar US$ 26 bilhões (mais de R$ 134 bilhões) para Israel.

Do lado de fora dos muros da Columbia, onde manifestantes protestam ininterruptamente desde quinta-feira em apoio aos estudantes, a sensação era de indignação. Uma das palavras de ordem perguntava: “Israel bombardeia, os Estados Unidos pagam, quantas crianças vocês mataram hoje?”.

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