Início Brasil CPI da Covid ouve Carlos Wizard e vota convocação de Ricardo Barros...

CPI da Covid ouve Carlos Wizard e vota convocação de Ricardo Barros nesta 4ª

Para a cúpula da comissão, há indícios de que Barros estaria envolvido em possíveis irregularidades na compra de vacinas pelo governo federal, o que o deputado nega

0

A CPI da Covid deve votar nesta quarta-feira (30) a convocação do deputado Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados.

Para a cúpula da comissão, há indícios de que Barros estaria envolvido em possíveis irregularidades na compra de vacinas pelo governo federal, o que o deputado nega.

O requerimento de convocação do deputado não está na pauta, mas há acordo entre os senadores para a votação.

Além de votar requerimentos, a CPI ouvirá nesta quarta o empresário Carlos Wizard e deverá questioná-lo sobre a suposta existência de um “gabinete paralelo”, que teria orientado Bolsonaro sobre assuntos relacionados à pandemia.

Uma das linhas de investigação da CPI da Covid é a suspeita de irregularidades envolvendo as negociações para importação da Covaxin, vacina contra a Covid-19 produzida na Índia pela Bharat Biotech.

O imunizante é o mais caro negociado pelo governo até agora, e o contrato foi intermediado por uma empresa que não tem vínculo com a indústria de vacinas.

Na semana passada, em depoimento à comissão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, disseram ter relatado a Bolsonaro as suspeitas de irregularidades envolvendo as negociações.

Ainda no depoimento, Luis Miranda disse que, ao ouvir o relato, Bolsonaro citou o nome de Ricardo Barros.

Desde então, o líder do governo na Câmara tem negado irregularidades, afirmando que não há “dados concretos” nem “acusações objetivas” contra ele.

Nesta terça-feira (29), os ministros Marcelo Queiroga (Saúde) e Wagner Rosário (Controladoria-Geral da União) anunciaram a suspensão do contrato sob suspeita.

Ainda assim, o grupo majoritário da CPI quer ouvir Ricardo Barros. Isso porque, nesta terça, o jornal “Folha de S. Paulo” publicou uma entrevista na qual o representante da Davati Medical Supply no Brasil, Luiz Paulo Dominguetti, disse que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, pediu propina de US$ 1 por dose de vacina para a empresa assinar contrato com o ministério.

De acordo com a “Folha”, Dominguetti procurou a pasta para negociar 400 milhões de doses de vacina.

Ainda conforme o jornal, Dias foi indicado para o cargo por Ricardo Barros, o que o deputado nega. O Ministério da Saúde já anunciou a exoneração do diretor.

Ao repórter Nilson Klava, da GloboNews, Roberto Dias se disse alvo de retaliação por ter cobrado de Dominguetti que comprovasse representar a AstraZeneca, o que, segundo o diretor, nunca aconteceu.

Wizard e o ‘gabinete paralelo’

A CPI da Covid aprovou a convocação de Carlos Wizard no dia 26 de maio e agendou o depoimento do empresário para o dia 17 de junho.

Wizard, porém, não compareceu, alegando que estava nos Estados Unidos, acompanhando o tratamento de saúde de uma familiar. Diante disso, a CPI quebrou os sigilos, pediu à Justiça a condução coercitiva, e a retenção do passaporte do empresário.

Integrantes da comissão suspeitam que ele integre o suposto “gabinete paralelo” de assessoramento a Bolsonaro.

A defesa de Wizard acionou o Supremo Tribunal Federal para evitar a condução coercitiva pedida pela CPI. Mas, no dia 18 de junho, o ministro Luis Roberto Barroso autorizou a medida, posteriormente suspensa por decisão do próprio ministro, diante da marcação do depoimento para esta quarta.

Wizard retornou ao Brasil na última segunda-feira (28) e entregou o passaporte à Polícia Federal.

Em maio de 2020, sem cargo oficial no governo, Wizard disse ter recebido do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a missão de acompanhar contratos e de deixar o Brasil “forrado” de medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina, ineficazes contra a Covid.

Além do “gabinete paralelo”, o empresário deve ser questionado sobre as suspeitas de que houve financiamento de conteúdo falso na internet, as fake news, sobre a Covid.

A CPI busca mapear o caminho da propagação de informações que estimularam tratamentos sem eficácia para o enfrentamento à doença.

Outras convocações

Além da convocação de Ricardo Barros, a CPI pode votar outros pedidos de convocação nesta quarta-feira:

Robson da Silva, secretário de Saúde Indígena do Ministério da Saúde;

Tulio Silveira, representante da Precisa Medicamentos;

Emanuela Medrades, diretora técnica da Precisa Medicamentos;

Antônio José Barreto de Araújo Júnior, ex-secretário-executivo do Ministério da Cidadania;

Airton Cascavel, ex-auxiliar de Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde;

Regina Célia Oliveira, servidora do Ministério da Saúde;

Roberto Ferreira Dias, diretor de Logística do Ministério da Saúde;

Thiago Fernandes, funcionário do Ministério da Saúde;

Danilo Trento, empresário ligado a Francisco Maximiano, da Precisa;

André Aranha Corrêa do Lago, embaixador do Brasil na Índia.

Também pode ser convocado o representante da empresa Davati Medical Supply no Brasil, Luiz Paulo Dominguetti.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile