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China se apoia em pilares tradicionais para retomada pós-Covid

Depois de impulsionar uma recuperação em forma de V com o aumento dos gastos em habitação e infraestrutura, a China parece não ter pressa em abandonar seu modelo de crescimento baseado em investimentos, apesar do apelo de outros países para que “reequilibre” a economia.

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Dados do primeiro trimestre divulgados na sexta-feira destacaram como a China ainda depende da abordagem atual: os investimentos aumentaram 6% em comparação com o aumento de 4,2% nas vendas do varejo, com base nas taxas médias de crescimento de dois anos para descontar os efeitos do impacto das restrições relacionadas ao coronavírus no ano passado. O governo chinês aprovou projetos de investimento nos setores de energia, transporte e alta tecnologia no valor 45,4 bilhões de yuans (US$ 7 bilhões) só no primeiro trimestre, segundo dados divulgados na segunda-feira.

O Fundo Monetário Internacional e outras agências argumentam há muito tempo que a forte dependência da China de investimentos em infraestrutura e imóveis desequilibrou a economia. Embora tenha ajudado a puxar décadas de rápido crescimento, críticos dizem que também causou uma dependência de dívidas – o que poderia desencadear uma crise financeira – e excesso de capacidade na economia, como já aconteceu no passado em setores como aço e carvão.

Aumentar a participação do consumo das famílias ajudaria a “reequilibrar” a economia, segundo essa visão. Ao responder por cerca de 43% do PIB, a proporção de investimento da China é uma das mais altas de qualquer grande economia, enquanto o consumo corresponde a cerca de 38%.

Justin Yifu Lin, ex-economista-chefe do Banco Mundial que também foi assessor do presidente Xi Jinping no ano passado, disse em entrevista que os apelos para o crescimento liderado pelo consumo “não são apoiados por evidências empíricas ou teoria econômica”. Ele argumenta que altos investimentos em nova infraestrutura e equipamentos permitem que os trabalhadores sejam mais produtivos e aumentem a renda, o que eleva o consumo.

Essa mensagem é compartilhada pelo banco central. Em estudo na semana passada, pesquisadores do Banco Popular da China, liderados por Chen Hao, escreveram que “o consumo nunca foi uma fonte de crescimento” e que “damos importância ao investimento”. Eles apontaram os EUA como alerta, argumentando que o consumo excessivo e a baixa poupança levaram a um grande déficit comercial e contribuíram para a crise financeira global de 2008.

A pandemia aumentou a lacuna da China entre investimento e consumo, à medida que o governo de Pequim destinava ajuda financeira a empresas para retomar a produção, em vez de distribuir dinheiro às famílias. O Tesouro dos EUA disse em relatório na semana passada que a falta de apoio do governo às famílias impulsionou o crescente superávit comercial em 2020 e recomendou que o governo chinês “tome medidas decisivas” para alocar mais recursos aos consumidores.

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